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Tesouros do Norte: Águas, Vinhos e História

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Tesouros do Norte: Águas, Vinhos e História

Catarina Braz

Quando você pensa em Portugal que lugares vêm à sua mente? Lisboa? Porto? Talvez Algarve? Para muitos turistas visitar Lisboa e Porto significa conhecer Portugal. Ledo engano. Nosso pequeno país tem muito mais a oferecer, ao alcance de umas horinhas de carro. Já ouviu falar no melhor hotel do mundo para se casar? Ou no santo casamenteiro das velhas? Ou na vila de cerca de mil habitantes que é Património Cultural Mundial da Humanidade por sua história na produção de vinhos especiais?

Essas e outras surpresas o esperam no Norte de Portugal, nas regiões do Minho e Trás-os-Montes, que guardam tesouros ainda pouco explorados deste país surpreendente. Ao longo dos próximos meses vamos descobrir as belas paisagens, diferentes culturas e curiosidades do Norte.

I. Vidago: seu palácio e suas águas

Essa pequena vila no coração de Trás-os-Montes reserva grandes surpresas. Se você quer celebrar sua união com a pessoa amada num lugar realmente especial, que tal escolher nada menos que o melhor hotel do mundo para casamentos? Isso mesmo, em 2014 o Vidago Palace Hotel recebeu esse título. E basta entrar pelos seus portões e avistar ao longe a fachada principal para compreender essa escolha.

  Vidago Palace Hotel

Vidago Palace Hotel

  Escadaria principal do palácio. Fonte: Google

Escadaria principal do palácio. Fonte: Google

Além da imponente construção, o Vidago Palace reserva outra surpresa aos seus visitantes: as águas de Vidago. Naturalmente gaseificadas, essas águas de propriedades medicinais foram descobertas por acaso por um lavrador local em 1863. Para matar sua sede bebeu um pouco de água de uma nascente que não era aproveitada nem para regar o terreno, por ser considerada insuficiente.

Seu sabor forte e gasoso logo chamou a atenção do lavrador, mas mais ainda o bem-estar que sentiu ao beber, amenizando dores que sofria no estômago. E voilá! As águas foram enviadas para análise, descobriram seu valor medicinal e Vidago nunca mais foi a mesma. As águas de Vidago têm o maior teor de alcalinidade de Portugal, e supera até as águas de Vichy, em França.

A fama do poder medicinal das águas chegou rapidamente aos ouvidos da família real em finais do séc. XIX, o que fez com que o Rei Luís I se tornasse um frequentador assíduo do local, em busca dos poderes curativos dessas águas. A partir daí é fácil concluir de onde veio a inspiração para construir um palácio em terras tão desconhecidas. Projetado em 1910 pelo arquitecto José Ferreira da Costa e inaugurado pelo Rei D. Manuel II, já foi considerado o palácio mais luxuoso da Península Ibérica. Atualmente o famoso hotel também abriga um Spa que oferece tratamentos com as águas de Vidago.

  Jardins do Vidago Palace Hotel

Jardins do Vidago Palace Hotel

Uma boa notícia é que não é necessário ser hóspede para experimentar a emblemática água. É possível degustar gratuitamente. A fonte fica abrigada numa pequena casinha do início do séc. XX, onde uma funcionária oferece um pouco da água enquanto explica as suas propriedades.

  Local onde se faz degustação da água de Vidago

Local onde se faz degustação da água de Vidago

Depois de beber o néctar de Vidago aventure-se pelos jardins ao redor do Palácio. Um passeio relaxante que lhe fará querer voltar muitas vezes, seja pelas águas, seja pela paisagem, seja pelo requinte desse hotel único.

II. Pinhão

Pertencente ao distrito de Vila Real, essa pequena freguesia às margens dos rios Douro e Pinhão tem uma enorme importância histórica. Devido à sua localização privilegiada sempre foi um importante ponto de transporte de Vinho do Porto e por isso se tornou rapidamente no maior pólo económico da região. Foi a primeira freguesia do distrito a ter acesso a electricidade, rede de telefone e água canalizada. Ainda hoje o Pinhão é um dos principais pontos de partida para quem quer explorar o Vale do Douro de barco.

  Estação do Pinhão. Fonte: Google

Estação do Pinhão. Fonte: Google

Quem chega ao Pinhão de comboio recebe as boas vindas dos 24 painéis de tradicionais azulejos portugueses que nos fazem viajar no tempo e ver algumas cenas do cotidiano daquele povo no início do séc. XX.

E se no Porto a famosa Ponte Luís I é obra de um discípulo de Gustave Eiffel, aqui no Pinhão a Ponte Rodoviária foi projectada pelo próprio, no séc. XIX. Mais um elemento que compõe lindamente a paisagem do rio Douro e que se tornou um motivo de orgulho para o local.

  Ponte Rodoviária do Pinhão

Ponte Rodoviária do Pinhão

Apesar da movimentação de turistas, o local transmite aquela sensação de ser um eterno fim-de-semana, sem a correria das grandes cidades, com aquele ritmo lento e pacífico de quem realmente adotou uma qualidade de vida sem o stress dos prazos curtos e mil afazeres a cumprir. Compreensível. Afinal, o Pinhão é um convite a apreciar a icónica paisagem duriense e seus terraços em socalcos, seja de barco, comboio, a pé ou de carro. Uma freguesia que agrada a todos os viajantes.   

III. Favaios

Situada no Alto Douro Vinhateiro, a 600m do nível do mar, essa pequena aldeia de pouco mais de mil habitantes revela uma história grandiosa. Conhecida como aldeia vinhateira do Douro, Favaios dá nome ao mais famoso Moscatel do país, do qual comporta uma produção anual de cerca de 30 milhões de garrafas (calma, a maior parte delas são mini-garrafas) que são maioritariamente consumidas em território nacional. Puro, com gelo, limão ou cerveja, o Favaios é uma preferência nacional. A percentagem de apenas 10% de exportação dá uma dimensão bastante clara de como os portugueses apreciam esse néctar do Douro. A produção massiva de Moscatel de Favaios e de Favaítos deve-se a um trabalho conjunto que os produtores locais desenvolveram, criando a Adega Cooperativa, que trouxe um crescimento significativo para a região.

 Vila de Favaios

Vila de Favaios

A Vila de Favaios tem uma grande riqueza histórica, arqueológica e gastronómica para ser explorada, mas hoje o nosso foco será mesmo no Moscatel, e a melhor forma de conhecer um pouco mais desse delicioso vinho é conversar com quem entende do assunto.

É nessa pequena vila que está guardado o Moscatel mais antigo do país, com 120 anos, na Quinta da Avessada. Uma quinta com raízes muito presentes, onde o proprietário e toda a equipa nos recebe sempre de braços abertos e com um sorriso no rosto, orgulhosos da sua história e prontos para compartilhá-la connosco. Uma visita imperdível, onde se aprende mais sobre a região e os segredos para a produção de vinhos de excelência.

 Santuário do Moscatel – Quinta da Avessada

Santuário do Moscatel – Quinta da Avessada

Como nenhum Enoturismo está completo sem as degustações, na Quinta da Avessada podemos provar os sabores da região. Desde os bons vinhos até a típica gastronomia local, em almoços e jantares fartos.

  Prova de vinho de mesa e aperitivos na Quinta da Avessada

Prova de vinho de mesa e aperitivos na Quinta da Avessada

Dizer que são imperdíveis é pouco para esses três pedacinhos de Portugal. Na sua próxima visita aproveite para ver e experimentar mais deste país surpreendente.